PF investiga 40 alunos que teriam sido beneficiados por fraude no Enem

Segundo o superintendente da PF no Ceará (centro), tanto em 2013 quanto este ano, os suspeitos teriam pagado até R$ 30 mil para conseguir ingressar nos cursos (Foto: Chico Alencar/O Povo)
Cerca de 40 pessoas que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no ano passado, foram beneficiadas por esquema de fraude e obtiveram o gabarito da prova. Foi o que revelaram as investigações da Polícia Federal no Ceará, que prendeu quatro membros da quadrilha responsável por comandar os crimes, na manhã de ontem. Dois deles foram presos em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, a 493 quilômetros de Fortaleza. Os outros dois foram capturados na Paraíba. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos dois estados e no Piauí, durante a chamada “Operação Apollo”.

Segundo o superintendente da PF no Ceará, delegado Renato Casarini Muzzy, tanto em 2013 quanto este ano, os suspeitos teriam pagado até R$ 30 mil para conseguir ingressar nos cursos, principalmente em Medicina, um dos mais concorridos. Todos receberam o gabarito durante a aplicação da prova por meios ainda não divulgados pela Polícia. No exame do fim de semana passado, “dezenas de pessoas” teriam sido beneficiadas pela fraude. Todos estão sendo identificados pela PF.

“Essa era uma organização criminosa dedicada a fraudes no Enem, concursos públicos e ingresso em universidades públicas pelo sistema de cotas. Eles tinham o centro de atuação na Região do Cariri e foram descobertos em 2013. Essa investigação, que já dura 13 meses, também permitiu que fossem feitas as prisões no sábado passado. A medida que foram identificados, todos os candidatos e universitários serão expulsos dos cursos e responderão, administrativa e criminalmente, pelas fraudes”, disse.

De acordo com Casarini, dentre as pessoas presas, três são cearenses e um é paraibano. Todos responderão por formação de organização criminosa e fraude a exames de interesse público. Foram cumpridos sete mandados de busca em Juazeiro, quatro na Paraíba e um no Piauí. Os acusados presos em Juazeiro seriam os responsáveis por cooptar candidatos para pagar o esquema e também por responder as provas de maneira correta. A suspeita é que toda a quadrilha seja formada por pelo menos nove pessoas.

Outras prisões

Após o primeiro dia de prova do Enem deste ano, no sábado passado, duas pessoas já haviam sido presas, também em Juazeiro do Norte, acusadas de participar do mesmo esquema de fraude denunciado ontem. Os acusados são um homem de 21 anos e uma mulher de 19, residentes de Porteiras, município vizinho. Segundo a PF, eles teriam usado o celular para receber os gabaritos.

A Polícia informou que os candidatos se declaram sabatistas e realizaram a prova à noite, em horário diferenciado, juntamente com outras 60 pessoas. Por motivos religiosos, sabatistas guardam o sábado e só trabalham ou estudam após o pôr do sol. Eles foram autuados pelo crime de fraudes em certame de interesse público, cuja pena é reclusão de um a quatro anos e multa. Durante o exame, é proibido portar quaisquer dispositivos eletrônicos.

Saiba mais

O Ministério Público Federal do Ceará (MPF-CE) instaurou ontem procedimento para investigar o suposto vazamento do tema da Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

De acordo com na procuradora da República Nilce Cunha, o primeiro passo das investigações será ouvir os estudantes que disseram ter recebido o tema da Redação por meio de telefone celular. Segundo a procuradora, as investigações começaram quando o caso passou a ser noticiado pela imprensa.

Os estudantes serão ouvidos a partir de segunda-feira, 17. O MPF poderá solicitar que os aparelhos celulares dos alunos sejam periciados. “Mas isso vai depender da conversa que vou ter com eles”, diz Nilce Cunha.

Fonte: O Povo