ESCÂNDALO NA RECEITA FEDERAL: Operação Zelotes atua em Juazeiro do Norte

A PF já apreendeu mais de R$ 1,3 milhão, em espécie, como parte da operação, deflagrada em parceria com outros órgãos federais  (FOTO: AGÊNCIA ESTADO)

Juazeiro do Norte
. A Polícia Federal (PF) cumpriu mandado de busca e apreensão ontem, na residência de um auditor fiscal da Receita Federal, em Juazeiro do Norte (CE).

A ação fez parte da Operação Zelotes, deflagrada também em São Paulo e no Distrito Federal para cumprir de 41 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal.

O cumprimento do mandado em Juazeiro do Norte resultou na apreensão de computadores, aparelhos celulares, documentação e dois automóveis. Conforme agentes da Polícia Federal que participaram da operação, o nome do auditor não foi revelado porque as investigações acontecem em segredo de Justiça.

A Operação Zelotes investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, advocacia administrativa, tráfico de influência e associação criminosa no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que é uma espécie de tribunal da Receita Federal.

Os investigadores acreditam que os desvios no conselho podem superar os valores da lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato, que foram estimados em R$ 10 bilhões.

No total, a Polícia Federal acredita que as empresas envolvidas no esquema podem ter deixado de pagar R$ 19 bilhões aos cofres públicos por meio da Receita Federal.

Segredo de Justiça

A PF já apreendeu mais de R$ 1,3 milhão, em espécie, como parte da operação, deflagrada em parceria com a Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Corregedoria do Ministério da Fazenda. Como o inquérito está sob segredo de Justiça, a Polícia Federal e a Receita Federal não revelaram os nomes das empresas nem das pessoas envolvidas na fraude.

Na capital federal, a PF fez ontem buscas na residência do ex-vice-presidente da 3ª Seção do Carf, Leonardo Siafe Manzan. Segundo fontes envolvidas na ação, foi apreendida quantia superior a R$ 800 mil no apartamento do investigado - um duplex de alto padrão, na Asa Sul de Brasília. A reportagem telefonou para a casa de Manzan, mas a informação da atendente, que não se identificou, foi de que ele não estava disponível para falar a respeito da operação. Os envolvidos no esquema de corrupção usavam empresas de consultoria para lavar dinheiro.

De acordo com o delegado da Polícia Federal Marlon Cajado, responsável pela operação, advogados e lobistas procuravam ativamente empresas. "Existe uma questão endêmica de grupos que atuavam lá para fazer esse patrocínio de interesses privados utilizando a posição de funcionários públicos", disse.

Segundo o delegado, são investigados um conselheiro do Carf e nove ex-conselheiros. Também estão sob investigação cerca de 70 empresas em setores como financeiro, indústria automobilística e agrícola. De acordo com Cajado, há mais provas em oito a nove processos, que somam R$ 5 bilhões, a maioria já julgados e casos em que foi reduzida a multa aplicada pela Receita Federal inicialmente.


Com informações do colaborador em Juazeiro do Norte, Roberto Crispim, e de agências de notícias
Diário do Nordeste