Últimas Noticias

6 de novembro de 2017

1º DIA DE PROVAS: Enem tem maior número de ausentes desde 2009

O ministro da Educação, Mendonça Filho ressaltou, entretanto, que não foi identificado nenhum caso de fraude com uso de ponto eletrônico ( FOTO: ABR )
Brasília. Dos 6,73 milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, 30,2% não compareceram ao primeiro dia de provas. Esse é o maior índice de abstenção desde 2009, quando foram registradas 37,7% de ausência.

No total, 273 pessoas foram eliminadas no primeiro dia, sendo que 264 foram por descumprimento das regras gerais do edital e nove por terem algum equipamento identificado pelos detectores de metal.

Em 2016, o exame teve 3.942 eliminações ao final do primeiro dia e 4.780 no segundo.

Não foi identificado nenhum caso de candidato usando ponto eletrônico, apenas uma pessoa que usava um fone de ouvido, que foi desclassificada.

"A própria divulgação de que estamos utilizando equipamentos que identificam o uso de transmissores deve ter inibido os malfeitores que tentam ir no caminho dessa fraude", disse o ministro da Educação, Mendonça Filho, em entrevista ontem à noite. Neste ano, pela primeira vez, foram utilizados detectores de ponto eletrônico. O Inep também identificou dois casos de pessoas que saíram do local da prova antes do horário e também foram eliminadas. Um candidato foi identificado com um cigarro de maconha no bolso, mas ele pôde concluir a prova.

Duas turmas não conseguiram concluir a prova por falta de energia, uma em Teresina (PI) e outra em Uruaçu (GO). Esses alunos terão que refazer a prova em dezembro e, segundo o Inep, não serão prejudicados.

De acordo com o Inep, o participante isento de pagamento da taxa de inscrição do Enem 2017 que não compareceu às provas e não justificar essa ausência do sistema de inscrição do Enem 2018, por meio de documento legal, perderá o direito a nova isenção. Ontem, foi o primeiro dia do Enem, com provas de redação, linguagens (língua portuguesa e língua estrangeira) e ciências humanas (geografia, história, filosofia, sociologia e conhecimentos gerais). O segundo dia de provas será em 12 de novembro, com questões de matemática e ciências da natureza.

Este é o primeiro ano que o Enem é realizado em dois domingos consecutivos. Até o ano passado, as provas eram realizadas em um único fim de semana - sábado e domingo.

Tema da redação


Marcado por uma controvérsia sobre direitos humanos, o Enem deste ano teve novamente uma proposta de redação relacionada ao tema.

A prova pediu um texto dissertativo sobre "desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", no qual os candidatos deveriam apresentar uma "proposta de intervenção que respeite os direitos humanos".

O tema está alinhado com o das edições anteriores do exame. Das últimas 19, 11 tratavam de algum assunto relacionado a direitos humanos.

Neste ano, porém, decisão judicial proibiu que redações fossem anuladas por desrespeito a esses direitos. A decisão atendeu pedido do grupo Escola Sem Partido, sob a justificativa de defesa da liberdade de expressão. Presidente do Inep, instituto que aplica o exame, Maria Inês Fini afirmou que o pedido da redação é coerente com a competência 5 do exame: "elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos".

O que foi questionado judicialmente não foi essa competência, mas o item que tratava de motivos de anulação da prova.

A entrevista de Fini e do ministro Mendonça Filho não contou com tradutor de Libras (Língua Brasileira de Sinais).

A escolha do tema do ensino de surdos ocorreu na primeira edição do Enem em que candidatos com deficiência auditiva tiveram acesso a uma Videoprova, com tradução em Libras.

O material de apoio incluía a lei que trata do tema; um gráfico mostrando a queda no número de alunos surdos na educação básica; texto sobre a história do ensino a pessoas com a deficiência no Brasil; e um anúncio sobre a discriminação desse público por empresas.

Não havia menção a estratégias de ensino adotadas.

Especialista em educação inclusiva, Maria Teresa Mantoan, professora da Unicamp, viu com reservas a proposta da redação. Em sua opinião, é interessante chamar atenção para a inclusão, mas, por outro lado, o ensino de surdos envolve conhecimentos específicos não dominados por grande parte dos alunos.

Inclusão


Com experiência na área, a educadora Mônica Amoroso pontua ainda que há uma grande diversidade entre os alunos com a deficiência, o que demanda diferentes abordagens. "Alunos surdos filhos de pais ouvintes muitas vezes chegam à escola sem língua alguma, nem a de sinais nem o português. Já a situação de crianças que perdem a audição após aprender português é totalmente diversa", afirma. Ainda assim, ela aprovou a proposta, por exigir argumentação sobre a inclusão.

Segundo o professor de geografia Cláudio Hansen, gerente pedagógico do curso online Descomplica, nas provas de hoje, a necessidade interpretativa ficou bastante evidente. "Foi uma prova que valorizou aquele aluno que fez muitos exercícios, que conhecia o Enem, que fez os exames anteriores, que se esforçou e tinha toda essa bagagem", disse.

Visita presidencial

O presidente Michel Temer fez uma visita surpresa à sede do Inep para conferir a operação de execução do Enem. Acompanhado do Ministro da Educação, Mendonça Filho, ainda visitou uma sala de monitoramento do exame nacional.



Diário do Nordeste